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quarta-feira, 4 de junho de 2014

DIÁLOGO PRECIOSO

Então o filho interrompendo o pai que assistia seu favorito programa de televisão, perguntou-lhe:
- Papai, existem diferenças entre um homem e um alcoólatra?
- Sim filho, não somente diferenças, mas também semelhanças.
- Como assim?
- Ora, todo alcoólatra também é um homem, porém nem todo homem é um alcoólatra.

- Quais as suas características?
- Um homem, na expressão da palavra, é uma pessoa que possui  o controle de si, ou seja, tem o domínio dos seus impulsos, atitudes e paixões.    A sua conduta é sempre alicerçada na razão, procurando manter o equilíbrio entre os seus direitos e deveres, e acima de tudo, sabe valorizar o seu trabalho, seus amigos, o seu lar e sua família.

-  E o alcoólatra?
- É justamente o oposto.   E pelo fato de não saber controlar os seus desejos e extrapolar continuamente o seu limite, torna-se um dependente químico.  

-  O que é um dependente químico?
- É uma pessoa que sofre de dependência química, que por sua vez, é uma doença caracterizada pelo uso nocivo de drogas, ou seja compulsão pelo consumo de substâncias lícitas ou não, e esse mal atinge pessoas de ambos os sexos e frequentemente está associada à outras doenças, além de desencadear problemas físicos, psicológicos e sociais.

- Como isso acontece?
- Vários são os motivos que levam à dependência química, mas de alguma maneira, todas as drogas acionam o sistema de recompensa do cérebro, assim a atenção do dependente se volta para o prazer imediato, propiciado pelo uso da droga, fazendo com que percam o significado, todas as outras fontes de prazer.   

- Quais são essas substâncias?    
Existem três categorias de substâncias, de acordo com  seus efeitos no sistema nervoso central, são elas: as Depressoras, as Estimulantes e as Alucinógenas.   As Depressoras como o Álcool e Soníferos, diminuem o nível de atividades no cérebro, as Estimulantes como Cocaína e Crack, aumentam esses níveis, já as Alucinógenas, como Maconha e LDS, criam falsas percepções da realidade  para os usuários.    Várias substâncias, inclusive muitas legalizadas como o Álcool, causam dependência, e por isso o diagnóstico da doença pode ser difícil.  

Portanto, o alcoólatra, é um dependente de uma droga lícita, que  o leva para uma situação cada vez pior, tendo como consequência entre outros males de saúde, a perda  do  emprego, dos seus bens, dos amigos, da família, do amor próprio e por fim, da  dignidade, que o arrastam para o fundo do poço.    

- Existe cura para esse mal?
-Infelizmente ainda não, apenas tratamento, que requer o internamento do paciente, com administração de medicamentos; sendo de fundamental importância nesse processo,  a participação efetiva da família, principalmente no início, pois o paciente ainda não percebe claramente que aquilo que acontece com ele é decorrente de uma doença.     Tanto a família, como a equipe responsável pelo paciente, necessitam estar alinhadas, objetivando adquirir, confiança e vínculo, para que se estabeleça uma relação de confiança e de aceitação do tratamento, o que irá garantir a sua efetivação  e consequente melhora. Geralmente a recuperação de um dependente químico, é um processo longo e em muitos casos gradual e lento, no entanto em muitos casos, apresentam resultados satisfatórios.

- Obrigado papai, por todas essas explicações,  me desculpe por  interromper  o  seu programa de televisão  e ter roubado  o seu  tempo.
-  Filho! não precisa agradecer; e sempre que necessitar de ajuda, eu estarei sempre do seu lado e não pense que isso rouba o meu tempo, pelo contrário, estar com você, brincando, conversando, fazendo sei lá o que?, é sempre agradável pra mim.

-  É por isso que  tenho orgulho de ser seu filho e quando eu crescer, quero ser um pai igualzinho ao senhor!
-  Eu também tenho muito orgulho de ter um filho como você, sempre amoroso, obediente e aplicado nos estudos, por isso sou grato a Deus; agora vamos dormir, pois já é tarde e amanhã cedo tem aula para você e trabalho pra mim.

-  Boa noite papai!
-  Boa noite filho! 

Antônio Saldanha     

quinta-feira, 29 de maio de 2014

DIÁRIO DE UMA BÍBLIA

Veja o que a própria Bíblia relatou:

20 de janeiro - Passei uma semana calma. Nas primeiras noites do Ano Novo, meu proprietário me leu diariamente, mas agora parece que me esqueceu.

16 de fevereiro - Hoje foi faxina geral de final de verão.  Fui desempoeirada como os outros objetos e recolocada em meu lugar.

24 de março - Fui utilizada depois do café pelo proprietário.  Ele analisou alguns trechos e me levou ao culto.

8 de maio - Hoje foi um dia duro de trabalho.  Meu proprietário dirigiu um estudo bíblico e teve que procurar vários versículos.  Raras vezes os encontrava, mesmo estando no velho lugar.

1 de junho - Hoje, alguém colocou um trevo de quatro folhas entre minhas páginas.

29 de junho - Fui colocada, juntamente com roupas e outros objetos, dentro de uma mala.  Parece que estamos em viagem de férias.

10 de julho - Ainda estou na mala, embora quase todos os outros objetos já tenham sido retirados.

15 de julho - Estou novamente em casa, no meu velho lugar.  Foi uma viagem cansativa.  Não entendo porque tive de participar dessa viagem.

10 de agosto - Hoje fui utilizada por Maria.  Ela escreveu para sua amiga e procurou um versículo para ela, pois seu pai faleceu.

20 de agosto - Novamente fui desempoeirada.

Seria essa a sua Bíblia???

quarta-feira, 28 de maio de 2014

FRASES DE PÁRA-CHOQUES DE CAMINHÕES

Expressões populares do nosso povo

Em sua maioria, essas frases foram tiradas do "Concurso Nacional Borg & Beck de Frases de Pára-Choques " 1979.

O dinheiro não trás felicidade, mas acalma os nervos

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Quem vive de esperança, morre de fome

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Saudade não mata, mas maltrata

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Mulher de estrada e freio de mão, só na emergência

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É melhor chegar tarde em casa, do que cedo no cemitério

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Amigo não é o que dá a rosa, mas o que tira o espinho

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Moro no mundo, passeio em casa

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Banguela só a vovó

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Seja dono da sua boca, para não ser escravo das suas palavras

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Mulher bonita e dinheiro, só vejo nas mãos dos outros

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Obrigado Senhor, porque posso dar, e não preciso pedir

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Senhor, transformai em flor, os espinhos do meu caminho

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Erro de médico, a terra cobre

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Deus fez Eva, o homem o caminhão, o jeito é fica na estrada

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Costurar é pra modista, permaneça na sua faixa

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A tristeza da partida, é a incerteza da volta

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Ser canhoto é fácil, difícil é ser direito

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Quero entrar na estrada, que vai ao teu coração

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Poucas vezes a felicidade está ausente; nós é que não notamos
a sua presença

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A simplicidade, é o último degrau da sabedoria

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Saudade é aquilo que fica, daquilo que não ficou

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Ninguém é tão alguém, que nunca precisou de alguém

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O divórcio é igual a cana de engenho, só deixa bagaço

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Se não houvesse distância, não haveria saudade

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Quem planta amor, colhe saudade

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O amor não tem idade, está sempre nascendo

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Amar é fácil, difícil é esquecer

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Sempre há um pouco de perfume, nas mãos de quem dá flores

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Eu era feliz e não sabia

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Ladrão em casa de pobre, só leva susto

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Café, sopa e mulher, só servem quentes

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A saudade me fez voltar

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Mulher chora na saída, caminhão velho na subida

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Não tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho

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Sogro rico e porco gordo, só dão lucro quando morrem

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Quem anda apressado, passa por cima do que precisa

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Ser pobre e feliz, uma das coisas é mentira

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A paz que você procura, está no silêncio que você não faz

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Vivo arranhado, mas não deixo a minha gata

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Sogra é como macaxeira, só é boa debaixo da terra

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Scania  e soutien, só compra quem tem peito

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Mulher é como toalha, quanto mais enxuta melhor

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O pobre é como pneu, quanto mais trabalha, mais fica liso

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Virgindade e sarampo, só se tem uma vez

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Dinheiro de pobre é como sabão, quando pega escorrega da mão

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Porta de carro velho e mulher ruim, só com porrada

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Nunca se esqueça de me lembrar, nunca se lembre de me esquecer

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A esperança é o sonho do homem acordado

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Cada estrada tem seu barranco, cada mulher seu encanto

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O homem honesto não jura, seu caráter jura por ele

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Fui matar a saudade, e voltei morrendo

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Pobre e pneu velho, estão sempre na lona

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Vencer sem lutar, é triunfar sem glória

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Ser motorista é fácil, difícil é ser responsável

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A mulher que andou na linha, o trem matou

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Quem encontrou um amigo, achou um tesouro

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Nosso amor virou cinza, porque eu mandei brasa

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Mulher é como remédio, agita-se antes de usar

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Faça trabalhar a cabeça e dê férias à língua

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Pobre só fica de barriga cheia, quando morre afogado

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Não desejes um castelo, se és feliz numa choupana

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Pelo dinheiro vou, pela saudade volto

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O homem é o único animal que não sabe viver

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Antes de falar de mim, lembre-se do seu passado

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O pão do pobre só cai com a  manteiga pro chão

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Quem gosta de aperto é parafuso

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A vida só é dura pra quem é mole

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Se morrer é descanso, prefiro viver cansado

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Casei-me com Maria, mas viajo com Mercedes

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Broto é bom, mas dá muito galho

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Quem ama a rosa, suporta os espinhos

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20 te ver 100 querer

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Não inveje, trabalhe

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Na luz forte dos teus olhos, eu entrei na contra mão

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O homem nasce, cresce, fica bobo e casa

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No decote do horizonte, vejo os seios da saudade

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Motorista é igual a bezerro, só dorme apartado

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Se Lampião fosse vivo, ninguém cantava Maria Bonita

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Nas estradas moro e de saudade choro

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6 pneus cheios e 1 coração vazio

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Vou rezar um 1/3 pra encontra um 1/2 de te leva pra o 1/4

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A vida começa aos 40 e a morte aos 80 kms

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Quem ama nunca esquece, quem esquece nunca amou

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O pouco com Deus é muito, o muito sem é nada

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Não sou dentista, mas gosto de banguela

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Se casar fosse bom, não precisava de testemunhas

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Não sou notícia ruim, mas como corro

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Com Deus eu vou e volto

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Boca que não beija, pimenta nela

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Na estrada da vida , o passado é contra mão

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Quem vive do passado é museu

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Flor que  não perfuma, mulher que não ciuma, o diabo que as consuma

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Que guia não bebe, que bebe não guia

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70 me passar, passe 100 atrapalhar

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Mulher é como estrada, sendo boa é perigosa

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Nas curvas do teu corpo, capotei meu coração

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Guardar segredo entre três, só matando dois

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Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção

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Não sou pinhão mas gosto de coroa

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Não sou detetive mas só ando na pista

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Não mando minha sogra pro inverno, porque tenho dó do diabo

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Se a coroa for boa, o pinhão aguenta

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Na estrada da  vida não há retorno

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Vivo estacionado na garagem da solidão

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Amar é a melhor ferramenta pra conserta o ódio

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A distância é a medida da saudade

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Não deseje a mulher do próximo, quando o próximo estiver próximo

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Quando o pobre come galinha, um dos dois está doente

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Casei-me com a cunhada, pra economizar sogra

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Mulher é como chiclete, quanto mais mexe, mais dá bola

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Economize a natureza, ela é o combustível da vida

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Já lembraste de Deus hoje?

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A pior formiga do jardim da minha vida, é a minha sogra

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A cortesia é contagiosa, provoquemos uma epidenia

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A mulher mais leve, é a carga mais pesada

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Mulher é como filme, só se revela no escuro

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Pelas estradas se conhece o prefeito

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Viúva é como lenha verde, chora mas pega fogo 

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Se amar é pecado, prefiro viver pecando

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Amor é como fumaça, sufoca mais passa

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Quem quer só o pode, tem tudo que quer

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Se me verem abraçado com mulher feia, apartem que é briga

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Estrada reta e mulher sem curva, só dá sono

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Namorar bastante, noivar pouco e casar nunca

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Amor e sarna ninguém esconde

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Em minha casa, alguém reza por mim

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Errar é humano, perdoar é divino

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A arte de vencer,  aprende-se nas derrotas

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Coceira na mão do pobre é sarna, na mão do rico é dinheiro

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Beleza sem graça, é como anzol sem isca

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Mulher é igual ao café, se esfriar perde o gosto

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Quem compra sem poder, vende sem querer

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Coração sem amor é como caminhão sem motor

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A melhor maneira de multiplicar a felicidade, é dividi-la

                                             














domingo, 25 de maio de 2014

APENAS UMA ILUSÃO


Há muito tempo atrás, quando tinha os meus dezessete anos, consegui o meu emprego de carteira assinada.    Ainda lembro como se fosse hoje, quando fui designado para atuar no setor de cobrança de uma grande loja de eletrodomésticos, chamada Carvalho Dutra, onde iniciei o meu aprendizado na vida profissional.

Naquele departamento, tive a oportunidade de trabalhar na companhia de um ancião, chamado Sr. Abílio, pessoa muito simpática, e generosa, que pacientemente, ensinou-me passo a passo, todos os procedimentos daquele departamento.    Algo naquele homem, começou a chamar-me a atenção, talvez a sua maneira de falar, pausadamente, mesclada de mansidão, sabedoria e objetividade, que sempre o mantinha no controle da situação, por mais adversa que fosse.

A medida que os dias passavam, maior se fazia a minha admiração por aquele homem e a partir daí, surgiu a curiosidade de desvendar qual a razão daquela conduta.    Portanto, todas as vezes que conversamos, procurava, um meio de descobrir o  verdadeiro segredo.   Em fim, encontrei o que procurava; ele era um mestre maçom; e daí por diante, comecei a interessar-me pela maçonaria e atentamente ouvia o que aquele bondoso homem me falava a respeito daquela instituição.    

Inicialmente  falou sobre os seus objetivos, em seguida, sobre sua atuação na política em todo território nacional, e nos intercâmbios internacionais, como também, nas obras sociais.   Falou-me ainda das festas brancas, ou seja, aquelas em que a maçonaria, abre suas portas aos convidados e familiares dos maçons, durante algumas festividades, como o dia das mães, o dia da independência etc. 

Quando completei a maior idade, fui dispensado daquela empresa, a fim de prestar serviço militar, e por força da circunstância, tive que me separá daquele que compartilhou comigo, somente  coisas  boas, e que só me fizeram crescer.     Sempre que lembro do Sr. Abílio, logo me vem à mente um precioso conselho, que ele me havia dado: "O homem não é aquilo que fala, e sim, aquilo que faz."

Apesar do forte desejo de ingressar naquela organização, isso somente aconteceu muitos anos depois; quando já havia constituído uma família e trabalhava numa  multinacional, onde havia muitos colegas maçons, que muito  aconselharam para que eu desistisse daquela ideia, porém, sem dar nenhuma atenção aos seus apelos, ingressei na maçonaria.   

Quando comecei a participar dos trabalhos maçônicos,  fiquei bastante empolgado com aqueles ensinamentos; tudo, tinha um significado especial, sendo que  muitas coisas eram tiradas da Bíblia Sagrada. Durante o tempo que lá permaneci, ascendi até o grau 3 (mestre maçom).   Onde cheguei a ocupar  o cargo chanceler, colaborando incansavelmente em todas as missões que me foram designadas, como também, pude realizar um bom trabalho na restruturação do cadastro dos obreiros.

Recordo, que juntamente comigo, foram iniciados mais quatro pessoas: eu (funcionário de uma multinacional),  L (engenheiro,  proprietário de duas lojas de tintas e criador de gado), A (vendedor de uma fábrica de tintas), Ab (advogado e criador de gado) e J (proprietário de um mercadinho).   E quando o obreiro L, ao assumir a tesouraria, procurando mostrar serviço, criou a cobrança de multa e juros, para todos  os membros que pagassem a mensalidade, após o vencimento.     

Acontece, que  aquele obreiro, sempre apresentava um  baixo índice de frequência, motivado pelas viagens de negócios, relacionadas com as lojas e problemas com o gado.   Devido a esse fato, o procurei para quitar a mensalidade, que venceria no dia 05 do mês seguinte e o mesmo recusou-se a receber, alegando que eu tinha  muito tempo pela frente, e que estava com pressa de viajar para sua fazenda ainda naquela noite.   Então eu retruquei: não seja o caso de você regressar após o vencimento e querer cobrar indevidamente, juros e multas.    

E como eu havia  previsto,  o mesmo só retornou após o dia 5, e quando quis efetuar o pagamento, ele afirmou que só receberia com juros e multa, não levando em conta os meus argumentos.   Foi então que procurei o venerável mestre, V (gerente de operação do Pão de Açúcar), que era a maior autoridade dentro da loja, e que dentre outros atributos, tem a obrigação de julgar com equidade todas as questões que lhe chegarem; e lhe contei detalhadamente tudo o que havia ocorrido.   E para  minha surpresa, ele comentou que aquele problema deveria ser resolvido  com o tesoureiro.    Sem pensar duas vezes, retornei a  aquele cidadão e pedi que calculasse até os segundos do que eu teria que pagar, e lhe falei que aquele fato, jamais  voltaria a acontecer e imediatamente me retirei.

Já na minha casa, comecei a refletir sobre tudo aquilo que eu tinha vivenciado naquela noite, e então comecei a compreender o porque, daqueles colegas de trabalho me pedirem veementemente para que eu não ingressasse na maçonaria: eles queriam me poupar de tão grande decepção.   Naquele instante lembrei das palavras do sr. Abílio ("o homem não é aquilo que fala, e sim o que faz") e assim, através daquela conduta reprovável do tesoureiro, e do venerável mestre, eu pude  então conhecer, o verdadeiro caráter de cada um.

Um fato, que sempre me chamou a atenção naquela loja, foi a existência de uma igrejinha formada pelo tesoureiro, o venerável mestre e mais outros quatro maçons, que tinham uma situação financeira bastante admirável, que agiam sempre em concordância e costumeiramente trocavam favores.      Outro fato  relevante, é a contradição existente entre o lema  (LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE), e a conduta não condizente de muitos maçons, que assim procuram denegrir a imagem de uma organização tão respeitada.    

Na realidade, não era isso que eu esperava encontrar, até porque, para que um candidato pudesse ingressar na maçonaria, era necessário que ele atendesse os seguintes pre-requisitos: Tempo, Pecúnia e Conduta Ilibada, e assim, como sucedeu comigo, muitos outros também foram constrangidos e não encontraram razão para  que ali permanecessem. No meu caso, alguns anos depois, descobri a existência de  pontos divergentes do meu credo religioso, razão pela qual, também teria que me afastar, contudo, gostaria que a minha decisão, fosse justificada pela segunda condição.

Voltando ao ponto, após o infeliz episódio daquela noite, eu decidi pelo meu afastamento, que ocorreu na reunião seguinte, onde solicitei o meu desligamento, em caráter irretratável e irrevogável, justificada por uma questão de fórum íntimo.  Depois da  leitura da minha carta, foi gerada uma situação desagradável naquele momento, pois eu gozava de um bom conceito e sempre fui atuante; infelizmente, a reunião seguiu meio descompensada e quando a palavra já se encontrava no oriente, retornou para o ocidente (o que não deve ocorrer), e mais uma vez o meu desligamento voltou a ser debatido, e mesmo diante de tanta insistência, eu não delatei ninguém, e assim, procurei evitar que os meus ofensores, fossem envergonhados e servissem de espetáculo diante de muitos visitantes naquela noite.

Assim foi a minha trajetória na maçonaria, talvez tentando buscar, na pessoa de cada maçom, a imagem do sr. Abílio, entretanto, nem todos os sonhos podem ser realizados na vida de uma pessoa, dependendo as vezes do local escolhido, conduto, para o nosso consolo, poderemos encontrar o nosso ideal um pouco mais além.

Antônio Saldanha
  




terça-feira, 13 de maio de 2014

EL SOMBRERO

No final da tarde de um domingo, numa pequeninha cidade do México, uma grande multidão caminhava em direção à única igreja, que ficava em frente de uma linda praça, no centro daquele município.

Logo que a igreja abriu suas portas, os fieis foram se acomodando, e num pequeno espaço de tempo, o templo ficou completamente lotado.
Um pouco antes de começar o culto, ouviu-se de repente um grande reboliço, que chamou a atenção de todos.

Era  um bêbado, que trajando vestes preta, exibia uma camisa com franjas nas mangas, uma calça bastante apertada, um  cinto com uma enorme fivela e  botas  meia-cana com saltos altos. E como não fosse bastante, para complemento da sua indumentária, usava um enorme chapéu, também de cor preta.

Esse personagem, apresentava uma fisionomia muito alegre, pois detinha a expressão de um  sorriso constante e ostentava um volumoso bigode, cujas  pontas eram mui extravagantes.


Assim que  ele entrou no templo, caminhava  de um lado para outro, e com um andar cadenciado e muito forte, provocando um tremendo barulho, com os saltos das suas botas.


E por onde ia passando, as pessoas que  se dirigiam a ele, usavam de muita paciência, e delicadamente lhe falavam:  Senõr, el sombrero!

Em reposta aos apelos daquela multidão, ele dirigiu-se ao púlpito,  e quando  lá chegou, reverenciou a plateia, inclinando-se diante dela, e logo em seguida começou a bradar:   Dadas las numerosas petciones, voy a cantar el sombrero!

Antônio Saldanha

sexta-feira, 9 de maio de 2014

A ILUMINAÇÃO PÚBLICA

Entre tantos outros desmandos praticados pelos nossos governantes , um deles que mais me causa repúdio, é  a cobrança da TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. (TIP) 

Acredito que a maioria da população, não sabe qual o mecanismo utilizado para  gerar o valor da referida taxa.   Tratá-se de um critério que foge totalmente aos princípios da lógica e da justiça, pois é considerado como base de cálculo, o consumo de energia das nossas residencias.

O valor dessa TAXA, é calculado através de uma tabela composta de diversas faixas de consumo de energia, que começa por 80 Kwh e vai até 1500 Kwh e para cada faixa, existe um valor específico, ou seja, quanto maior for o consumo maior será o valor cobrado.      

Ora, qual a relação existente entre o consumo de energia gasta nas residencias,  com  a energia  consumida  pela ILUMINAÇÃO PÚBLICA? 
Na realidade nenhuma, até porque, o consumo nas residencias é totalmente  diferente, pois o  mesmo sucede no decorre  de todo o dia.

Enquanto o consumo da ILUMINAÇÃO PÚBLICA, ocorre somente, durante uma parte da noite, sem levar em conta, as lâmpadas queimadas que levam muito tempo para serem substituídas.   E assim, apresenta um consumo muito baixo, levando em conta, as devidas proporções.
  
Entretanto, o que me deixa mais perplexo, é o fato dessa taxa além ser cobrada de um condomínio, também é cobrada de todos os moradores do prédio.     Ao meu ver, trata-se de uma ação abusiva, ultrajante e vergonhosa, como também, uma apropriação indébita, amparada por mecanismos inescrupulosos, usados para aumento de receita dos municípios. 

Pois se essa TAXA, já foi cobrada do condomínio, os condôminos, nada tem a pagar, porque não é o número de pessoas residentes num mesmo prédio, que implica no aumento do consumo da energia pública. Caso contrário, um cidadão que possuir uma família bastante numerosa, morando numa  mesma casa, teria  pagar diversas taxas, o que na prática, não acontece.

Se observamos com bastante atenção, iremos verificar que não existe um poste colocado em frente de cada imóvel, o que não justifica a cobrança para todos.   E mesmo assim, existe uma  uma grande distância entre um poste e outro, ocasionando ao longo de todas as rua, pontos iluminados e outros não.       

O desrespeito aos consumidores e a omissão da ANEEL, são gritantes, ao permitir a cobrança de valores estranhos nas contas de consumo mensal.    Portanto, os serviços contratados dessas concessionárias, referem-se apenas ao fornecimento de energia nas suas residencias, não cabendo a cobranças por outros serviços.

Como a TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA, vem cobrada na Conta de Luz, o consumidor é coagido a efetuar o pagamento integral da Fatura, pois do  contrário, será cortado o fornecimento de energia.

Há alguns  anos  atrás, o Ministério  Público  entrou com uma  Ação Civil
Pública, contra a TIP, que apesar de haver ganho nas primeiras instâncias, o que resultou na sua suspensão por muito pouco tempo, e logo voltou a ser cobrada.    Apesar dos Tribunais Nacionais, inclusive o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça, tenham-na declarado inconstitucional em mais de uma oportunidade, como fez o STJ, por unanimidade.

   
Mas, devido a certos posicionamentos jurisprudenciais, foi negado ao Ministério Público, a legitimidade ativa de propor ações civis em defesa dos interesses dos cidadãos atingidos pela cobrança da TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA.   

Devido a esse mecanismo e o total descumprimento do que determinou a Assembleia Constituinte por meio da Constituição Federal de 1988 e através da resolução normativa nº 414, que atribuiu aos municípios, a competência para a prestação do serviço de iluminação pública (artigo 30, V)    A própria CF/1988 cuidou de criar uma fonte de custeio desse serviço, ao prever a possibilidade da criação da contribuição de iluminação pública (artigo 149-A).    Diante desses fatos, só podemos entender que a cobrança da TIP, trata-se de uma apropriação indébita, pois a mesma já é custeada desde muito tempo atrás.    

Diante de um fato dessa magnitude, ficamos sem entender, qual a verdadeira utilidade da nossa justiça, porque os nossos direitos parecem perder a validade quando  muitas vezes recorremos aos tribunais, alimentados pela a esperança de termos de volta aquilo que nos foi tirado.    No entanto, temos como resultado, a sensação de frustração e desânimo, pois as nossas leis, muito dificilmente recompensa um cidadão, que busca por justiça contra aqueles que detém o poder, a influência e a riqueza.

E assim, mais uma vez somos logrados nos nossos direitos, e por não termos a quem recorrer, ficamos a depender unicamente da Justiça Divina.  

quinta-feira, 1 de maio de 2014

AS APARÊNCIAS ENGANAM

No  prédio  onde  moro,   no  litoral   norte,  em  Olinda,  existe alguns problemas  oriundos  daqueles condôminos que ainda não aprenderam a  viver em coletividade.   E na sua maneira de agir, julgam estar morando isoladamente numa casa, e assim vem ferindo o direito que é comum a todos.

Muitas e muitas vezes,  tenho me deparado com um dos portões da garagem completamente escancarado, após a retirada do veículo.     Este fato simplesmente demonstra uma atitude egoísta e irresponsável, colocando os demais veículos numa situação de risco.

Há pouco dias atrás, entrou um burro na garagem e seguiu em direção ao carro do meu filho, que por sorte ia chegando naquele momento e pode expulsar o animal, evitando assim um provável prejuízo material ou que o mesmo fizesse alguma necessidade fisiológica no recinto.
Outra vez, um bando de cachorros atrás de um cadela no cio, invadiu o prédio, imaginem só que cena constrangedora e o risco de algum condômino  ser atacado por um daqueles animais.    E quando o dia é chuvoso, aí o bicho pega, pois a nossa garagem passa a servir de abrigo público tanto para os transeuntes, como para quem está na parada de ônibus, que fica bem ao lado.

Outro dia, estava conversando com um vizinho sobre o problema da garagem, quando o mesmo me relatou, que a pessoa que costuma deixar a garagem aberta, procede desta forma para não ter que descer do carro e abrir a garagem quando retornar para casa.     Confesso realmente,  que  fiquei perplexo com aquela justificativa e por isso comentei com ele o seguinte: Se isso é tão importante para ela, então, por que não deixa a porta do seu apartamento aberta?   Também não lhe pouparia o trabalho e facilitaria a sua vida?    Ele olhou para mim, deu uma gargalhada e disse:    Pimenta nos olhos dos outros é colírio, mas nos nossos, queima.

Apesar da experiência que adquirimos com o passar do tempo, ainda nos deixamos enganar pelas aparências.    Muitas vezes observamos pessoas ouvindo música gospel, assistindo cultos evangélicos e lendo a Bíblia Sagrada, entretanto o seu modo de agir, diverge totalmente dos ensinamentos bíblicos.   Pois, tanto a Bíblia, como os pastores nas igrejas, ensinam que o nosso referencial é Jesus e incansavelmente nos exorta a sermos praticantes da doutrina cristã.

No Sermão da Montanha, Jesus ensinou para os seus discípulos o seguinte:  "Vós sois o Sal da Terra, e Luz do mundo.   Se o Sal perder o seu sabor, com que se há de salgar?   Para mais nada serve, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. (Mt. 5:13)   Assim resplandeça a vossa Luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu. (Mt. 5:15 e 16)
Na realidade, a conduta de uma pessoa, vem demonstrar o seu verdadeiro caráter, que por sua vez, nem sempre é igual a sua aparência.      Porque cada árvore, se conhece pelo seu fruto, pois não se  colhem  figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos  abrolhos.  (Lc. 6:44)    Afinal de contas, as pessoas, só podem dar, aquilo que têm.