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quarta-feira, 4 de junho de 2014

DIÁLOGO PRECIOSO

Então o filho interrompendo o pai que assistia seu favorito programa de televisão, perguntou-lhe:
- Papai, existem diferenças entre um homem e um alcoólatra?
- Sim filho, não somente diferenças, mas também semelhanças.
- Como assim?
- Ora, todo alcoólatra também é um homem, porém nem todo homem é um alcoólatra.

- Quais as suas características?
- Um homem, na expressão da palavra, é uma pessoa que possui  o controle de si, ou seja, tem o domínio dos seus impulsos, atitudes e paixões.    A sua conduta é sempre alicerçada na razão, procurando manter o equilíbrio entre os seus direitos e deveres, e acima de tudo, sabe valorizar o seu trabalho, seus amigos, o seu lar e sua família.

-  E o alcoólatra?
- É justamente o oposto.   E pelo fato de não saber controlar os seus desejos e extrapolar continuamente o seu limite, torna-se um dependente químico.  

-  O que é um dependente químico?
- É uma pessoa que sofre de dependência química, que por sua vez, é uma doença caracterizada pelo uso nocivo de drogas, ou seja compulsão pelo consumo de substâncias lícitas ou não, e esse mal atinge pessoas de ambos os sexos e frequentemente está associada à outras doenças, além de desencadear problemas físicos, psicológicos e sociais.

- Como isso acontece?
- Vários são os motivos que levam à dependência química, mas de alguma maneira, todas as drogas acionam o sistema de recompensa do cérebro, assim a atenção do dependente se volta para o prazer imediato, propiciado pelo uso da droga, fazendo com que percam o significado, todas as outras fontes de prazer.   

- Quais são essas substâncias?    
Existem três categorias de substâncias, de acordo com  seus efeitos no sistema nervoso central, são elas: as Depressoras, as Estimulantes e as Alucinógenas.   As Depressoras como o Álcool e Soníferos, diminuem o nível de atividades no cérebro, as Estimulantes como Cocaína e Crack, aumentam esses níveis, já as Alucinógenas, como Maconha e LDS, criam falsas percepções da realidade  para os usuários.    Várias substâncias, inclusive muitas legalizadas como o Álcool, causam dependência, e por isso o diagnóstico da doença pode ser difícil.  

Portanto, o alcoólatra, é um dependente de uma droga lícita, que  o leva para uma situação cada vez pior, tendo como consequência entre outros males de saúde, a perda  do  emprego, dos seus bens, dos amigos, da família, do amor próprio e por fim, da  dignidade, que o arrastam para o fundo do poço.    

- Existe cura para esse mal?
-Infelizmente ainda não, apenas tratamento, que requer o internamento do paciente, com administração de medicamentos; sendo de fundamental importância nesse processo,  a participação efetiva da família, principalmente no início, pois o paciente ainda não percebe claramente que aquilo que acontece com ele é decorrente de uma doença.     Tanto a família, como a equipe responsável pelo paciente, necessitam estar alinhadas, objetivando adquirir, confiança e vínculo, para que se estabeleça uma relação de confiança e de aceitação do tratamento, o que irá garantir a sua efetivação  e consequente melhora. Geralmente a recuperação de um dependente químico, é um processo longo e em muitos casos gradual e lento, no entanto em muitos casos, apresentam resultados satisfatórios.

- Obrigado papai, por todas essas explicações,  me desculpe por  interromper  o  seu programa de televisão  e ter roubado  o seu  tempo.
-  Filho! não precisa agradecer; e sempre que necessitar de ajuda, eu estarei sempre do seu lado e não pense que isso rouba o meu tempo, pelo contrário, estar com você, brincando, conversando, fazendo sei lá o que?, é sempre agradável pra mim.

-  É por isso que  tenho orgulho de ser seu filho e quando eu crescer, quero ser um pai igualzinho ao senhor!
-  Eu também tenho muito orgulho de ter um filho como você, sempre amoroso, obediente e aplicado nos estudos, por isso sou grato a Deus; agora vamos dormir, pois já é tarde e amanhã cedo tem aula para você e trabalho pra mim.

-  Boa noite papai!
-  Boa noite filho! 

Antônio Saldanha     

  

Um comentário:

  1. Você costuma dialogar com seus filhos? O diálogo é algo imprescindível e de fundamental importância no desenvolvimento de uma criança; através do qual, podemos estreitar o nosso relacionamento e ganharmos a sua confiança. E assim, podemos identificar os seus anseios, carências e temores, facilitando a nossa orientação; e além de tudo isso, nos dá a sensação do dever cumprido e a alegria de sempre sermos consultados em primeiro lugar.

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